Pequena morte.
Todo antidoto foi tomado,
o que sobra agora para mim.
Acho que estou contaminado,
e sinto torpor, sinto meu fim.
Meu corpo ferve em febre,
a alma teima em ficar presa.
Espero que seja algo breve,
pois, sinto-me uma lebre indefesa.
Sem querer começo a me lembrar,
de tudo o que fiz e o que nunca farei.
Das pessoas que podia amar,
e dos amigos que nunca terei.
O silêncio parece gritar,
e meu sangue ainda tenta fluir.
Como uma noiva sem seu amante no altar,
espero os minutos para partir.
O coração deixa de bater,
tenho um último lampejo de lucidez.
Fiz o que tinha que fazer,
sem ressentimentos e, sem escassez.